O Instituto Universitário Militar (IUM) acolheu a conferência do Tenente-Coronel Nuno Ribeiro dedicada à comunicação persuasiva e à influência social, no passado dia 30 de janeiro, no âmbito do Curso de Estado-Maior Conjunto (CEMC). Uma oportunidade privilegiada para os diversos auditores refletirem sobre os desafios contemporâneos da decisão estratégica.
Num contexto geopolítico marcado por competição estratégica, conflitos híbridos e crescente disputa no domínio cognitivo, a conferência destacou a importância da comunicação como instrumento central de poder, influência e liderança. Mais do que a transmissão de informação, comunicar eficazmente implica compreender como se formam perceções, como pessoas e grupos interpretam a realidade e de que forma emoções, crenças e enquadramentos culturais moldam a tomada de decisão.
A intervenção do Tenente-Coronel Nuno Ribeiro, colocado no Centro de Psicologia Aplicada do Exército, permitiu explorar a comunicação a partir de uma perspetiva integrada das ciências comportamentais, sublinhando que o domínio cognitivo constitui hoje um espaço crítico de disputa estratégica. Foi sublinhado que a eficácia da influência não reside apenas na lógica ou nos factos, mas na capacidade de mobilizar emoções, construir narrativas significativas e compreender os mecanismos neuro-cognitivos que sustentam o processamento da informação.
A conferência abordou ainda o impacto das tecnologias emergentes na amplificação de enviesamentos, na velocidade da difusão de mensagens e na reconfiguração dos processos de persuasão e influência social. Num ambiente informacional saturado e altamente competitivo, a capacidade de compreender audiências, antecipar reações e adaptar mensagens assume-se como uma competência essencial para líderes militares e decisores estratégicos.
Ao integrar estas temáticas na formação do CEMC, o IUM reforça a centralidade do pensamento crítico, da literacia cognitiva e da compreensão do fator humano na preparação de líderes aptos a atuar em contextos complexos, incertos e de elevada intensidade. Porque, no atual paradigma estratégico, compreender como se influencia é tão decisivo quanto compreender como se combate.