O Instituto Universitário Militar (IUM) realizou o seminário "A Nova Centralidade dos Açores: Perspetiva Estratégico-Militar", nos dias 14 e 15 de julho, reunindo responsáveis políticos, chefias militares, académicos e especialistas para analisar o papel do arquipélago numa realidade estratégica em rápida transformação.
Os Açores ocupam hoje uma posição cada vez mais relevante no equilíbrio estratégico do Atlântico. A proteção das infraestruturas críticas, a segurança marítima, a crescente importância do domínio espacial e a evolução do ambiente internacional colocam o arquipélago no centro de desafios que ultrapassam a dimensão regional e assumem importância para Portugal, para a Europa e para a Aliança Atlântica.
E foi com este entendimento que o Comandante do IUM, Almirante Vizinha Mirones, destacou a necessidade e importância de se compreender os Açores através de uma visão integrada da segurança coletiva e da defesa, onde coexistem desafios convencionais e híbridos, a proteção das infraestruturas críticas, a vigilância dos domínios marítimo e espacial e a necessidade de reforçar a capacidade de antecipação estratégica. Sublinhou ainda que cabe ao Instituto criar espaços onde o conhecimento académico, a experiência operacional e a decisão política possam convergir para apoiar uma compreensão mais rigorosa dos desafios que se colocam ao País.
O Presidente do Governo Regional dos Açores, Dr. José Manuel Bolieiro, defendeu, na sua intervenção, que a evolução do contexto internacional representa uma oportunidade para afirmar o arquipélago como uma plataforma estratégica de Portugal, da União Europeia e da NATO, sustentando que os Açores deixaram de ser vistos como uma periferia para assumirem um papel central na segurança e na resiliência do espaço euro-atlântico.
A reflexão foi igualmente enriquecida por um painel dedicado à importância geopolítica e geoestratégica dos Açores, moderado por Luís Castro, e que reuniu o Presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde, o Professor Catedrático Luís Andrade, da Universidade dos Açores, o Professor Tomé Gomes, da Universidade Católica Portuguesa, e o Coronel António Eugénio. A partir de diferentes perspetivas — política, académica, espacial e militar — o debate evidenciou que a relevância estratégica dos Açores resulta hoje da convergência entre a segurança marítima, o domínio espacial, as relações transatlânticas e a proteção das infraestruturas críticas.
O seminário contou ainda com a participação do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, General João Cartaxo Alves, do Presidente da Comissão de Defesa Nacional da Assembleia da República, Dr. Pedro Pessanha, do Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Nobre de Sousa, do Comandante das Forças Terrestres, em representação do Chefe do Estado-Maior do Exército, Tenente-General Rui Ferreira, do Chefe da Casa Militar do Presidente da República, Tenente-General Maia Pereira, de docentes universitários, Oficiais-Generais e especialistas de diversas instituições nacionais, refletindo a natureza transversal dos temas em debate e a necessidade de articular diferentes perspetivas na construção das respostas para os desafios da segurança e da defesa.
Mais do que promover um espaço de debate, esta iniciativa reforçou o papel do IUM como ponto de encontro entre a academia, as Forças Armadas, os decisores políticos e outras entidades do Estado, contribuindo para a produção de conhecimento, o desenvolvimento do pensamento estratégico e doutrinário e o apoio à decisão.
A proximidade entre o IUM, o Governo Regional dos Açores e as Forças Armadas constitui, neste contexto, um exemplo da importância da cooperação institucional na antecipação dos desafios estratégicos e na construção de respostas sustentadas para a segurança e a defesa.
E este é o compromisso do IUM: formar líderes, produzir conhecimento e doutrina, promover a cooperação institucional e contribuir para uma decisão estratégica mais informada, colocando o conhecimento ao serviço da segurança, da defesa e do interesse nacional.