O Tenente-General Hans-Werner Wiermann (Ret.), antigo Diretor-Geral do International Military Staff da NATO, realizou uma conferência aos auditores do Curso de Promoção a Oficial General (CPOG), subordinada ao tema “NATO Crisis Management and NATO’s Preparation for Collective Defence”, no Instituto Universitário Militar (IUM).
Ao longo de uma carreira de quase cinco décadas, Hans-Werner Wiermann desempenhou funções de elevada responsabilidade nos domínios da política de segurança, planeamento estratégico, controlo de armamentos e relações político-militares, tanto no Ministério da Defesa da Alemanha como na NATO. Foi Representante Militar da Alemanha junto da NATO e da União Europeia e, entre 2019 e 2022, Diretor-Geral do International Military Staff, um dos cargos militares de maior relevância na estrutura da Aliança Atlântica.
A conferência centrou-se na evolução da abordagem da NATO à gestão de crises e à defesa coletiva, analisando a transformação da Aliança desde o final da Guerra Fria até ao atual contexto estratégico. Foram abordadas as mudanças introduzidas pelos diferentes Conceitos Estratégicos da NATO, os desafios associados ao atual ambiente de segurança euro-atlântico e a forma como a Aliança tem vindo a adaptar os seus mecanismos de prevenção de crises, planeamento e resposta.
Num momento em que a competição estratégica, a instabilidade internacional e as ameaças híbridas voltaram a colocar a defesa coletiva no centro das preocupações dos Aliados, a sessão permitiu refletir sobre a forma como a NATO procura conciliar as suas três tarefas fundamentais: dissuasão e defesa, prevenção e gestão de crises e segurança cooperativa.
Mais do que os conceitos ou os modelos apresentados, a principal mais-valia da conferência residiu na oportunidade de os auditores contactarem com a visão e a experiência de um oficial-general que acompanhou e participou diretamente em muitos dos processos de adaptação estratégica da NATO ao longo das últimas décadas. A sua experiência abrangeu áreas tão diversas como a política de segurança internacional, a cooperação civil-militar, a mobilidade militar, a preparação para situações de crise e a articulação entre as dimensões política e militar da segurança internacional.
Para os futuros Oficiais Generais, a partilha desta experiência constituiu uma oportunidade particularmente relevante para compreender que os desafios estratégicos contemporâneos não se analisam apenas através da doutrina ou dos conceitos teóricos, mas também através da experiência de quem esteve nos locais onde muitas dessas decisões são discutidas, planeadas e concretizadas. E é este o compromisso do IUM, investir na formação de quadros qualificados ao serviço de Portugal e dos portugueses.